Vivendo para trabalhar: do trabalho degradado ao trabalho precarizado

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Izabel Cristina F. Borsoi

Resumen

A precarização laboral, em seus moldes atuais, tem impactado de forma intensa a vida e a saúde dos trabalhadores. O problema é que esse fenômeno vem sendo abordado, muitas vezes, sem que se considere que o trabalho precário e suas consequências são constituintes históricos do capitalismo, e não apenas uma característica de seu momento atual. O objetivo deste artigo é apontar alguns elementos para o debate sobre os modos de expressão do trabalho precário e suas implicações na vida dos trabalhadores desde o século XIX até a atualidade, enfatizando-se, entretanto, o período caracterizado pelo processo de reestruturação da produção iniciado na década de 1970. A discussão apresentada aqui parte do princípio de que, na contemporaneidade, estamos lidando com um novo modo de realização e de expressão do trabalho explorado e precário — portanto, também com novos modos de sofrer as consequências dessa precariedade. Sendo assim, a precarização de que se trata seria um refinamento das formas de exploração que caracterizam toda a história do capitalismo.

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Como citar
F. BORSOI, Izabel Cristina. Vivendo para trabalhar: do trabalho degradado ao trabalho precarizado. Convergencia Revista de Ciencias Sociales, [S.l.], n. 55, ene. 2011. ISSN 2448-5799. Disponible en: <https://convergencia.uaemex.mx/article/view/1133>. Fecha de acceso: 13 jul. 2020
Palabras clave
trabalho precário; flexibilização; precarização; condições de vida; saúde
Sección
Artículos

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